O Labirinto de Vidro
Sete voltas de silêncios a rodar no labirinto... Um labirinto de vidro sobre os espelhos quebrados. Eu andava passo a passo, tentando não me cortar, até que um dia, cansada, enfim, pisei, pra sangrar.
Eu rastejei nos infernos mais obscuros da alma. Fugi do beijo da morte. Provei da dor e tortura. E enquanto o mundo me via com flores de tinta e versos; Fui Jardim de violetas, plantadas na noite escura.
O labirinto me trouxe uma visão distorcida... Me mostrou um monstro horrível e disse que ele era eu. Eu combati a mentira, rasguei a pele e a roupa... E foi ali... Na loucura, que ele, enfim, me convenceu.
Sete voltas de silêncios eu andei no labirinto. Sete voltas de silêncios de um inferno sob o céu. Algumas vezes tentei dar voz às dores e aos gritos, mas encontrei pela frente, armadilhas de papel.
Em todas elas caí... Em todas elas chorei... Em todas elas morri, um pedacinho por vez.
E senti tanta vergonha! Eu tinha livros, palavras... Por elas ressuscitava me transformando em poesia.
Mas por que não conseguia me livrar do labirinto? Se eu não queria ser monstro... Se eu não queria estar lá... Se eu não queria essa vida onde a vida me esmagava... Por que não quebrar o vidro? Por que não vestir as asas? Por que proteger aquele que mentia e torturava?
Porque no fundo eu sabia que tinha medo do monstro. Porém aqui, no meu peito, eu esperava ser forte. Quisera eu ser a cola pra consertar os espelhos, E assim lutei, dia a dia, para salvar o tal monstro, Até sentir finalmente, suas garras, no meu pescoço..
Ali eu vi a verdade que não queria aceitar. Ali entendi aquilo que não pedi pra entender. Não tinha ninguém por perto, não adiantava gritar... Eu precisava ser morta, pra tentar sobreviver.
Então olhei em seus olhos, olhos de fera furiosa... E fui fechando os meus olhos, trancando a respiração... Ao ver meu corpo parado o monstro foi se acalmando e foi dormir, satisfeito, com minha vida em suas mãos.
Ali então eu fiquei, imóvel, no labirinto; O labirinto inseguro que eu chamava de lar. Logo depois fui embora. Enquanto o monstro sonhava, deixei a porta da casa, com o meu sangue em seus marcos... E aprendi que na vida, há cais que afundam seus barcos.
Não... O monstro não chega monstro, ele tem olhos serenos. Tem guitarra enluarada, canta poemas de amor. O monstro não chuta as portas, mas acha todas as frestas, pra criar seu labirinto, de sangue, ódio e horror.
Não... O monstro não mostra a cara, assim na frente dos outros. Só entre as suas paredes ele mostra como vem. Talvez ninguém acredite nesse relato que faço, afinal eu tenho livros, tenho palavras também...
Mas o monstro é mais astuto que qualquer biblioteca. Mais sagaz que o próprio tempo, Mais ardil que o próprio mal.
E se alguém nesse momento, estiver no labirinto, Criado por qualquer monstro, me dê um simples sinal... Eu juro, sem julgamentos, vou te mostrar a saída. Eu conheço as tuas dores. Eu vou saber entender. No mapa das cicatrizes, te mostro o rumo da porta. Tu não precisa ser morta, pra tentar sobreviver!