Com Cismas de Despedida
Não sei se foi o cansaço pelas tropeadas dos anos, que me plantou essa cisma de uma sede de mudança, ou se foi teu jeito antigo de se mostrar em pedaços pra os que te tomam nos braços feito uma doce viola... Só sei que ando solito, ruminando a decisão que rufa dentro do peito, tal flete no partidor, querendo ganhar distâncias num campo sem aramados... E assim eu ando, judiado, pensando em separação...
Eu era ainda um piá quando olhei nos teus olhos... Foi um encanto inocente – descobrir os teus mistérios - entrar nos teus pensamentos para saber de segredos, dar-te voz, mesmo com medo, como a nascer para a vida... Entendi palavra escrita em madrugadas de frio... Juntaste todas as letras na chama do teu fogão, imprimindo, num papel, versos de estranhas lonjuras onde bebi de águas puras e transformei-me num rio...
De pronto perdi o tino no lombo dos teus encantos... Ia sorvendo da seiva, me embriagando de ti... Contigo no meu costado criei coragem de sobra pra botar rimas na soga e continuar campereando... Meu laço atirei sem medo nas aspas de muitas canchas... Cada tiro, uma bandeira que confirmava o serviço. E de rodeio em rodeio, eu fui ganhando respeito, contigo dentro do peito, sofrenando minhas ânsias...
A parceria perfeita nestes duelos das rimas... Mesmo co verso branco não nos faltava emoção. Até que numas volteadas, nem sei ao certo onde foi, de frente as aspas de um boi, fiquei comendo poeira. Eu, buscando o tiro certo, riscando o couro com ganas e tu, falando com as flores nos campos de primavera... Eu te falando de sonhos no brilho intenso da lua e tu, me cortando à pua, arrancando terra e grama...
Por que teus lábios se negam a me falar com doçura? Será por teres caído nos braços de outro amor? Te botaste ensimesmada e já não chegas de manso a embalar meu descanso depois da lida do dia... Solito fico nas horas que perco olhando pro nada, nos dias que a chuva chega me prendendo no galpão... Eu tomo um mate e outro como a tomar um remédio, buscando a cura pro tédio da pobre alma estropiada...
Não te cobro que te negues, porque fechei as cancelas... A liberdade nos olhos são rimas pro teu sorriso... Nestes arranjos que brotam das cordas do violão, talvez o meu coração tenha ficado pequeno... Eu vou beber da cacimba, inspiração dos amantes, pra entender se fui eu que fiquei velho e sestroso, justificando essa pressa de nos botar apartados indo um pra cada lado, bem diferente de antes...
Bueno, se for assim eu me despeço dos campos... No silêncio das guitarras, silencio a minha voz que cantou por tantos pagos, voando além-fronteiras, seguindo a estrela boieira que sempre apontou estrada... Mas se acaso novas rimas surgirem no partidor, eu volto a ganhar lonjuras riscando o pago de esporas. Pois somos lenha e fogueira aquecendo as noites frias, tu és a vida em POESIA pro meu ser DECLAMADOR!