Revolução
Em um beco úmido e sem nome calados pela sede da fome uma legião de pequenos centauros cavalga versos livres em suas asas.
É tempo de revolução!
Menos sangrenta e sem rodeios fazendo de bicos seus luzeiros e compondo uma nova dança está lançada a sorte do mundo - um novo mundo sem lanças governado agora por...crianças!!!
Dotado de novas regras de conduta e sem imersão em banalidades começaram pelos cantos das cidades se reunindo em manifesto.
Foi o começo de um novo processo semeando a marcha da pré-escola! Ungida com chocalho e inocência levando o homem ao prumo da coerência e pondo fim a ditadura da esmola.
Chegaram aos poucos...
Primeiro reuniram-se nas creches... depois, dominaram a vizinhança e qual um sonho de criança nutrido com calma e persistência dominaram cidades e estados e chegaram enfim a presidência!
Decretaram então um novo tempo - dissolvendo a sociedade composta -. A partir de agora não haveriam vaidades e muito menos verdades impostas.
As professoras ocupariam agora um novo cargo - assessoras diretas do estado.
Valorizadas em um novo contexto de seus quadros sairiam os textos das leis de um mundo reformado.
Os parquinhos foram elevados a condição de indispensáveis. Neles se multiplicaria riso e tombo... Quem os vandalisasse, então, seria condenado por crime hediondo!
A jornada de trabalho restou exterminada junto as contas do mês - pagas por mágica. O negrinho do pastoreio virou símbolo nacional e sorvete tornou-se ítem da cesta básica!
Novos políticos são muito bem aceitos, por princípio e fim da real democracia. Mas nada de propaganda, votação ou correria nas eleições que obedecem a novos preceitos: ...disputas práticas de bolita... ...feitio de bonecas de palha... ...futebol de bola de meia... e a prova final e certeira: construção de castelos de areia.
12 de outubro, de direito e sem igual agora é o maior feriado nacional! Marchas de brinquedos tomam as ruas e o povo em alvoroço celebra crias suas.
Deixamos enfim de ser o futuro! Somos, no avesso dos muros, o presente. Dado e celebrado todos os dias enquanto joga-se bola e escutam-se poesias.
Em um mega avanço nacional pôs-se um ponto final em todas as peleias.
Decretou-se o fim dos castigos o cuidar dos próprios umbigos resultando no sepulcro das cadeias.
Livre!
A sociedade livre de mentiras envolta em véus e grinaldas sem impostos para as fraldas e com hinos feitos de cantigas!
Comandada por espírito criança finalmente produzindo herança faz nascer a real riqueza de ter em cada decisão...pureza.
Descortinado o sumo infinito - com pé de vento e hálito de pirulito - emana por fim o decreto bendito: que se convoque a grande festança!
Que venham todos para aliança... Que encham suas panças e que se regozijem em estripulias.
Convoquem cantores e declamadores e tragam balanços e escorregadores!
Nessa nova ordem social, comandada pela criança, o bem sempre vence o mal e o medo sucumbe à ESPERANÇA!