Condicional
A roda viva das horas empurra tempo e espaço… Mete o freio, ata o laço, prova a própria circunstância! Se condiciona às distâncias quando encilha e ganha estrada, e reduz a madrugada ao menor dos vãos da vida: só quem abraça a partida pode entregar-se à chegada.
Inferências e seus atos, precisões que o campo dita: antes das manhãs bonitas a noite é poncho nos ombros! Antes de pulsar escombros a tapera tinha gente, mesmo sendo indiferente ao que passa em seu intento. Morreu caída ao relento, derradeira e consequente…
A raiz só é raiz por ter onde se afirmar! A terra sabe sonhar e mostra porque tem viço. Só o suor do serviço cabresteia o bom descanso, merecido em seu remanso (condicional ao que é feito), tal a doma e o respeito na resposta de um mais manso.
A lonjura engole cascos que marcam o chão do mundo, e o motivo dos segundos é que manda no ponteiro! A tropa só tem tropeiro porque lhe chama o destino, ‘inda’ que o Sol repentino seja culatra e fiador! Andar sempre, pr’onde for: condição de um peregrino.
É rancho que tem paredes porque precisa de abrigo, é conselho ao amigo que precisa o recomeço. Tudo que é pago, tem preço, e o que se dá, tem razões. Necessárias previsões do que vem depois de nós! Condicionais aos avós: os netos e suas gerações.
Tem sombra de nuvem preta onde se clama por chuva, e a copa duma Timbaúva onde se pede por sestea… A luz em forma de réstia na condição de uma frincha, imita o couro da cincha passando - justa - onde aperta, que aprisiona e liberta aquele que bufa e relincha.
É cantor que ajusta o timbre por ter alguém que lhe escuta, são assobios de reculuta porque algum se foi pro mato! Condicionais os retratos na fraqueza da memória, pedindo que o fim da história vá além da própria pena! E congele aquela cena pra o resto da trajetória.
A faca só ganha o fio, pois há de sair da bainha! E até o corpo da linha tem intenção na costura… Só se escrevem releituras depois da primeira pronta, na condição que reponta tudo que foi a Querência! Em naturais dependências que vão entrando na conta.
Nenhuma alma sonora (entre violões e cordeona), vai entender que ressona sem que alguém faça uma nota. Há quem vá, pois sabe a volta, e quem fica por ter os seus! Os clarões precedem breus e o silêncio, algum ruído. Condicionais os sentidos das leis escritas por Deus.
Eu também fui este verso! Na tristeza do alvoroço… Tirei a corda do pescoço, derramei prantos de desculpa, e amansei minha culpa abraçando o meu irmão. Foi ele a minha condição de permanecer com vida, pois no final, a partida é condicional ao coração.