A Estrada é um Campo Aberto
A esperança é um par de esporas Roseteando a consciência, Quando se deixa a querência Para andejar mundo a fora... Parece que nessa hora O horizonte é um rumo certo, Trazendo o longe pra perto Num tranco de campereada Onde a vida é uma invernada E a estrada, um campo aberto.
Quem nasceu pra andar caminhos Por ser assim e mais nada, Andeja de alma encilhada Entre as flores e os espinhos... E desgarrou-se do ninho – berço da própria existência –, Reculutando experiência Para saber-se completo Porque a estrada é um campo aberto Pastorejando a vivência.
O rumo é um potro criado Ainda xucro e sem costeio, Quando o pago é um par de “arreio” Pra quem vive enforquilhado; Mas que depois de encilhado Apesar de tudo isso, Vai se amansar no serviço Ou lutar pra ser liberto, Porque a estrada é um campo aberto E o domador sabe disso.
Saudade é tropa pesada De se empurrar na culatra Onde tudo se retrata Numa longa caminhada, Em que sombra e boa águada Estão além da soalheira Dos que engolidos na poeira Vão vivendo seus desertos Pois a estrada é um campo aberto Sem divisas nem porteiras.
Silêncio é o consentimento Da própria sabedoria De quem refaz os seus dias Ruminando o pensamento; É ouvir na voz do vento O dialeto das lonjuras Falando sobre a procura Por algum sonho desperto Onde a estrada é um campo aberto Que se estendeu nas planuras.
O destino é como a sorte Que livremente caminha, Ninguém sabe ou adivinha Com precisão qual é o norte; Que o mais fraco e o mais forte Se desgastam ao tranquito, E o viver por mais bendito Leva os errantes direto Da estrada que é um campo aberto Até os peraus do infinito.