A Agonia de um Rio
Albeni Carmo de Oliveira
Velho rio que certo dia Serviu de praia p'ra mim. Velho rio que está no fim Atirado ao abandono.
32 poemas
Albeni Carmo de Oliveira
Velho rio que certo dia Serviu de praia p'ra mim. Velho rio que está no fim Atirado ao abandono.
Albeni Carmo de Oliveira
Assembléia improvisada, É reunião da peonada No culto da tradição. E junto ao fogo de chão
Albeni Carmo de Oliveira
Se a vida é uma passagem Por este planeta Terra, Porque uns só querem a guerra Cobiça, ódio e riqueza
Albeni Carmo de Oliveira
Como vais querida amiga Nesta tua nova morada? Aqui eu sigo a jornada Envelhecendo e cansado,
Albeni Carmo de Oliveira
A natureza enviou, Ao poeta DIMAS COSTA, Uma carta como resposta E eu é que recebi;
Albeni Carmo de Oliveira
Um dia um peão já velho, Destes curtidos dos anos, De alegrias e desenganos Que arrebanhou tempo a fora,
Albeni Carmo de Oliveira
Num troar de cascos de cavalos, A voz do clarim ecoou. E a Província toda levantou Por campos, várzeas e coxilhas;
Albeni Carmo de Oliveira
Pobre campeiro que um dia Deixou a querência amada, Empreendeu outra jornada Em outra terra diferente.
Albeni Carmo de Oliveira
Meu campo florido Meu jardim natural, Teu doce caudal De rara beleza.
Albeni Carmo de Oliveira
Com o progresso chegando Dia-a-dia sem parar, Com máquinas a empurrar Do campo o trabalhador,
Albeni Carmo de Oliveira
Jovem deixaste teu pago Onde viveste tua infância. Recordas tua ansiedade? Grande então foi a distância
Albeni Carmo de Oliveira
Eu sempre fui gaudério E quando parava na estrada Era para alguma sesteada, Ou beber água em vertente.
Albeni Carmo de Oliveira
Nesta minha vida gaudéria Andei por muitas querências, Sorvi tragos de existência Nos lugares que passei.
Albeni Carmo de Oliveira
Eu sei que nesta minha vida De trovador campesino, Tenho que seguir meu destino De peão humilde e sem luxo.
Albeni Carmo de Oliveira
Era noite de Natal A festa da cristandade, Porém longe da cidade Sem o badalar do sino,
Albeni Carmo de Oliveira
Sonhou que o mundo era Um grande jardim em flor; Não hávia o desamor Nem rancor, nem vaidade.
Albeni Carmo de Oliveira
Já fui piazote metido Fui alçado do rabicho; Me criei pelos bolichos Ouvindo e contando lorota.
Albeni Carmo de Oliveira
Bem no alto de uma coxilha Um taura velho e cansado, Apeou de um pingo tostado Olhou para trás e para frente,
Albeni Carmo de Oliveira
Patrão velho do infinito, Perdoa meu jeito rude, Mas é a forma que pude De fazer minha oração.
Albeni Carmo de Oliveira
Chinoca, quando te vejo Passares na minha frente, Despretensiosa e contente Com um andar caborteiro
Albeni Carmo de Oliveira
Graciosa e bonita, Cabelos nos ombros Vestido de chita. A pele sedosa Morena catita
Albeni Carmo de Oliveira
Ainda ontem xirua, Quando vi teu rancho vazio, Era verão, senti frio Pois me faltou teu calor,
Albeni Carmo de Oliveira
Aqui me tens novamente Terra que um dia deixei; Por muitos lugares andei Por força da profissão.
Albeni Carmo de Oliveira
Te apeia no mais, patrício, Vens ouvir o meu cantar! Se quiseres, podes ficar Assim como eu fiquei,
Albeni Carmo de Oliveira
A saudade é uma chinoca Traiçoeira e sem compaixão, Que deixa um índio no chão Quando não leva à loucura.
Albeni Carmo de Oliveira
Oi! Por que estás abatido? Cansa-te esta vida? Por quê? Te falta um carinho, Ou estás te sentindo sozinho?
Albeni Carmo de Oliveira
O vento soprava calmo Naquele humilde ranchito E lá de dentro um piazito Contemplando o luar
Albeni Carmo de Oliveira
Dorme criança dorme... O teu sono de inocente Dorme enquanto esta gente Cruza ruas e avenidas.
Albeni Carmo de Oliveira
Em um rancho na cidade grande Um velho xiru mateia. Quem o vê talvez não creia Que este velho bonachão
Albeni Carmo de Oliveira
Eu encilhei o meu pingo E saí bem pacholento, Cruzei na estrada com Bento Com Canabarro e Jardim.
Albeni Carmo de Oliveira
Quem passar na DEZESSETE E ver um Quartel remodelado, Saiba que ali está plantado O PRIMEIRO BATALHÃO.
Albeni Carmo de Oliveira
Teus olhos meu velho tio, São como janelas para o mundo, Onde me paro num segundo Ao olhar a humanidade.