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Athos Ronaldo Miralha da Cunha
A palavra é distopia, Para descrever a tragédia. Rios acima da média, Na enchente de agonia.
20 poemas
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
A palavra é distopia, Para descrever a tragédia. Rios acima da média, Na enchente de agonia.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Solitária na curva do caminho, a cruz ostenta o lenço maragato. Evoca um silêncio de retrato, na Picada de São Martinho.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
No encontro veio a proposta, um desafio na Estância, a ideia causou ressonância, não teve contraproposta.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
I O mate amargo e transcendental, De um taura de fogo e fogueira, Que nasce no silêncio matinal,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
– I – Seis tinas de águas de poço, cruzam cordas nas roldanas. Pela gana da força do braço,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Lá onde sopra o Minuano, Nasceu Jayme Caetano Braun. El Payador... poeta imortal, Se fez nas lidas de paysano,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Sou desatento da geografia, Da pampa sem sentinela, E da fronteira sem tramela. Tranquila a vida seguia,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Cinco séculos de história, De garra trabalho e dor, É o povo trabalhador, Na saga desta trajetória,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
É largo o verde da travessia, Que a cena do pampa modela, O tempo fecha a cancela, E o vento Pampeiro anuncia,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
O meu chimarrão é virado Com a cuia xucra dos dias Num domingo de ventania O meu churrasco é salgado
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Muy amargos os mates, Cevados de solidão, Laços longos de lassidão, Clausura visível de catre.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
No meu lugar havia uma sanga E pitangas nos matos da infância Trilhos para brincar de maquinista E uma vista carregada de distâncias
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Na minha mente esta milonga induz, Notas mágicas de um clarão da lua, Dos meus dedos que a guitarra conduz, Polvadeira de sonhos na noite escura,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Trago a cor de meu olhar cinzento, Num caminho de poeira e estio, Enfrento devaneios de chuvas e ventos, Reacendo os braseiros de fogo vazio.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
A ausência preencheu o vazio, quando minha mãe foi embora… não clareou… os raios da aurora: no remanso na curva do rio…
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Quando essa pandemia passar eu quero chutar o balde... e o pau da barraca. Quero sentar na rede na varanda
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Um ventito soprou nas margens, Do silêncio noturno das matas, E a chimanga em lua de prata, Um clarão de vida na paisagem.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
I – Maria catadora das penas Maria catadora das penas, Revira migalhas no arrebol,
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Não tem o apito na ponte, nem a máquina e o carvão, o exílio da gare da Viação, alarga o longo horizonte.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Na ausência da pampa singela, Bate a saudade campeira. E no mate com erva-cidreira, Na memória o retrato dela.