A Canção que a Mãe Cantava
Dimas Costa
"Nana filhinho Dorme meu bem Mamãe tá solita Papai logo vem"
65 poemas
Dimas Costa
"Nana filhinho Dorme meu bem Mamãe tá solita Papai logo vem"
Dimas Costa
Deixai-me dizer de um tempo que eu tive: De um tempo de coisas de nomes antigos; De coisas tão lindas que a gente entendia.
Dimas Costa
Melenudo, barba grande Maltrapilho todo imundo O pobre do vagabundo Na frente do casarão
Dimas Costa
Vejam só esta gaúcha Se não é um monumento. Não riam se sou pequena, Tamanho não é documento.
Dimas Costa
Quando a terra ficou grávida para parir o homem, enfeitou todo o seu corpo com campos, matas e flores;
Dimas Costa
Das raças que se fundiram Criando a nossa feitura, Eu tenho a fibra e o sangue Que me faz ser uma Prenda
Dimas Costa
Pequeno, muito pequeno, recém ensaiando os passos, mas já trazendo nos traços fibra da xucra herança
Dimas Costa
Embora assim pequena Vestindo saia de chita E andando de pés no chão Eu já sei cantar no verso
Dimas Costa
Houve o tempo em que a "folha" era a arma respeitada, pois assim era chamada a espada do brigadiano.
Dimas Costa
Morreu o velho Vicêncio que era o peão mais antigo da fazendo do Macedo. Já tinha 90 anos
Dimas Costa
Um peão desses de estância, bem xirú e bem grosso, criado sempre no campo, um dia foi ao “povo”, resolveu chegar na igreja. Atou o “pingo” na porta, meio sem jeito, mas decidido, entrou foi até o altar e diante da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, começou a “rezar” assim: Jesus: Eu só sei rezar male-male a Ave Maria.
Dimas Costa
Venho dos fundos dos séculos, Da eternidade, talvez. Desde que o mundo se fez No eclipse universal,
Dimas Costa
Mãe, esposa, heroína! Se sofreu,
Dimas Costa
Eu vi, sim Nossa Senhora desce, descer, inda agora, das pontas daquele cerro... Foi milagre! Foi milagre!
Dimas Costa
Sob o sol de um novo mundo, Retovado de progresso, A alma, num retrocesso A um passado sempiterno;
Dimas Costa
Mandei fazer umas botas Russilhonas, sob medida, Quero romper para a vida Com esse garbo arrojado,
Dimas Costa
Meu João-de-Barro arquiteto, Meu canário cantador, Meu Bentevi alcoviteiro, Meu dourado Beija-flor.
Dimas Costa
Borracho! Era como me chamavam, E tinham toda a razão! Beber era uma devoção, E eu vivia embriagado.
Dimas Costa
Quando eu brinco com mamãe Eu aprendo até a cantá. Nos brinquedos bem antigos Que ela gosta de ensiná:
Dimas Costa
Tropa de osso, gravetos, Laço de imbira ou cipó, Assim brinca o guri Mui faceiro e mui ancho,
Dimas Costa
Nana filhinha Dorme meu bem Mamãe ta solita E o bicho aí vem
Dimas Costa
Cacimba de água clara, espelho da minha infância. Cacimba onde em criança tantas vezes fui bombear
Dimas Costa
Levanto sempre cedito, bem na penumbra do dia e embebido na poesia duma xucra inspiração;
Dimas Costa
Minha mãe me deu as bombachas, As botas me deu o pai. E lá das bandas do Uruguai, Um tio, chamado Lourenço,
Dimas Costa
Sou prenda de C.T.G. Porque amo a tradição. Trago a minha devoção Pelas coisas desta terra.
Dimas Costa
Vou fazer renda de birlo Eu vou aprender a costurar, Para ser dona de casa, No dia que eu me casar.
Dimas Costa
Foi sempre no entardecer quando lá fora eu vivia, que emocionado eu sentia as vibrações da poesia,
Dimas Costa
Voltou assim como quem volta só no mas para voltar. Não tinha cor mais nos olhos, nem sonhos no coração!
Dimas Costa
Eu tive um cusco oveiro, meu cusco de estimação. Ganhei-o lá numa estância, presente dum velho peão.
Dimas Costa
Aqui está uma prenda Quem não conhece, atenção! Sou filha da tradição E o meu pai é um gaúcho
Dimas Costa
Pois num fandango lá no rancho do Maneco Claudino eu me meti num buchincho e que buchincho, menino.
Dimas Costa
Atei a cola do pingo bem em cima, a canta-galo, e ou tranco do meu cavalo me toquei para um farrancho.
Dimas Costa
Garça Branca longe, voando, nuta tarde de verão, é uma esperança tombando, na noite da destruição...
Dimas Costa
Olhem só para o meu jeito e o meu lenço sobre o peito. O meu chapéu sobre a nuca
Dimas Costa
Isto foi em Trinta e Cinco quando uma guerra assassina banhava toda a campina com sangue dos desgraçados.
Dimas Costa
Juvino, pobre gaúcho, Um dia se deu ao luxo De conquistar uma prenda; Moça, linda e ricaça,
Dimas Costa
Dos que vieram de além-mar Aportando nestes rincões, E desbravando sertões, Nas serranias selvagens,
Dimas Costa
Tem na alma a tradição. Quando vai numa festança O Juvêncio pula e dança Que parece um gurizão.
Dimas Costa
Menina simples que nasce Nos confins lá do rincão Não tem outra ilusão Que o trabalho de roça
Dimas Costa
Meu chapéu desaforado, Quem me deu, foi o padrinho, Que é gaúcho bem largado, E, usa um, bem igualzinho.
Dimas Costa
Meu laço é feito de piola Um barbante enrodilhado Que alcançam toda sala lado a lado
Dimas Costa
Dois grandes amigos meus Que eu acho uma maravilha É o meu cachorro baio E o meu cavalo de encilha
Dimas Costa
Aprendi em meu colégio a mais sublime lição, que o Rio Grande, minha terra, tem forma de um coração.
Dimas Costa
Da convulsão das histórias que vieram formando o mundo, num resto de amor profundo eu trago na minha estampa.
Dimas Costa
Eu sou moça da campanha, Uso vestido de chita. Dizem até que sou bonita Mas eu não sinto vaidade.
Dimas Costa
Ouve Brasil esta história Dos tempos que o negro sofria, Nas garras da escravidão.
Dimas Costa
(Para menino ou menina) Vovozinha me contou Uma lenda dum negrinho
Dimas Costa
(Para menino ou menina) Eu aprendi o ABC Como manda a tradição.
Dimas Costa
Roubei um beijo da moça, Ninguém viu; Roubei um beijo da moça, Nem ela sentiu.
Dimas Costa
Velho arroio de arrabalde, espelho de águas calmas, onde juntavam-se as almas de tantas mães deste mundo.
Dimas Costa
(Para uma prenda) Formosa princesa ibérica Enfeitiçada dos mouros,
Dimas Costa
Como um fantasma, vagando Pelo silêncio das peças Da casa, onde a família, Mulher, filhos e netos,
Dimas Costa
JÁ DISSE UM DESSES CANTORES, GAITEIRO VELHO BAGUAL, QUE O RIO GRANDE É ORIGINAL EM TODA A SUA CRIAÇÃO
Dimas Costa
Em tempos que já vão longe, - por culpa do Grã-senhor - o mundo era um carneador, - assim na comparação -
Dimas Costa
“Senhores peço licença, Licença pede atenção”, E se venho nesse refrão Cantar do jeito que sei,
Dimas Costa
Vija só o meu tamanho Mas eu já sou bem bonita! Há muito que eu quero sê u'a prenda de cetegê,
Dimas Costa
Só no silêncio das horas Que entre os dois, confidenciais, Trocamos os nossos sonhos,
Dimas Costa
Com licença. Venho dizer-lhes que esta minha devoção que trago no coração embora ainda criança,
Dimas Costa
Chinoca, meiga, trigueira, Descendentes das missões, Exigente nas lições, Reclama e briga por tudo.
Dimas Costa
Chegaste. Ainda bobo com a luz Deste mundo aonde estou. Eu, há muito cheguei.
Dimas Costa
Quem visse aquela gaúcha, naqueles tempos que os homens mais empunhavam as armas do que cuidavam do lar;
Dimas Costa
Senhores, aqui me têm, sou “Prenda” de CTG. Talvez, eu não sei por quê, lhes cause isto surpresa
Dimas Costa
Chegou um dia no pago, Mui perfumada e faceira. Morena, meiga, trigueira, Mais linda do que uma flor.
Dimas Costa
(Quer dizer: Sem Rima) Mas que ditos pela criança se tornam engraçados:
Dimas Costa
(Para serem ensinados pelos pais) PARA MENINAS: