A Essência do Pago
Lauro Teodoro
A ESSÊNCIA DO RIO GRANDE JÁ ULTRAPASSOU AS FRONTEIRAS, NA RAÇA E NA PROCEDÊNCIA, DESTA TERRA HOSPITALEIRA.
43 poemas
Lauro Teodoro
A ESSÊNCIA DO RIO GRANDE JÁ ULTRAPASSOU AS FRONTEIRAS, NA RAÇA E NA PROCEDÊNCIA, DESTA TERRA HOSPITALEIRA.
Lauro Teodoro
A mesma mão que semeava Forjou um progresso de mágoas, lavrou o verde dos campos Degradou a pureza das águas.
Lauro Teodoro
A água borbulha na vertente Quando é pura e cristalina, Que nasce do ventre da terra, Como se fosse coisa divina.
Lauro Teodoro
Juntei pela estrada da vida os cacos de minha infância, fui cavalgando as distâncias, do passado até o presente,
Lauro Teodoro
Amanhece o dia no campo raios de sol começa apontar. Brincam crianças nas casas, e ninguém vê o dia passar.
Lauro Teodoro
Anseia um silêncio no tempo Que nos fortes se acampa, É o sangue farrapo nos ventos E nas sesmarias do pampa.
Lauro Teodoro
Quando uma família sai do campo E se arrancha na cidade, Os sonhos viram luz e fumaça, E o campo vira a saudade.
Lauro Teodoro
Existe dentro de nós uma brasa acesa, queimando os costumes de outrora.
Lauro Teodoro
Poema da coleção infantil “As Vozes do Campo” És o símbolo da nossa terra, O companheiro das tardes calmas,
Lauro Teodoro
Quando cheguei nesta terra, num simples galpão fui parido. Uma cama de pelegos, foi o meu berço preferido.
Lauro Teodoro
Os galos cocuricaram e bateram asas, como prenunciando no seu cantar mais um dia na estância! Acordar num amanhecer
Lauro Teodoro
O inverno já chegou Num tranco de muito frio, E o tempo que fica vazio Pois de tudo ele e capaz,
Lauro Teodoro
Meu grito de oh de casa! Já faz parte do passado, É cinza do fogo sem brasa, Um costume que já foi soterrado.
Lauro Teodoro
Ora minha querida mamãe, És gesto de amor e carinho. Sem você sou rio seco, Um pássaro fora do ninho!
Lauro Teodoro
Ando varando as madrugadas, No silêncio do meu catre, Campeando estrelas nas rondas, Revirando a erva do mate.
Lauro Teodoro
Na algibeira grande do tempo Temos lembranças guardadas, Em fotografias amareladas, Dos caminhos ao pé dos montes,
Lauro Teodoro
Sou menina criada no meio rural, Simples, estudiosa e sonhadora. Trago muitos sonhos de infância, De ser mãe, e ser professora!
Lauro Teodoro
Sempre gostei dos guachos, Que volteiam a casa e o galpão. Talvez porque são orfãos de mãe e do pai nunca tiveram atenção.
Lauro Teodoro
Cercado de fronteira naturais a terra das sesmarias de um alado a muralha dos aparados da serra,
Lauro Teodoro
Onde meus avós se criaram, Eu me recordo um casarão. Os costumes me ensinaram, É como uma antiga canção.
Lauro Teodoro
Solitas em galhos secos vivendo na solidão, entrevadas pelos ventos na procura de um capão,
Lauro Teodoro
Sobre a luz das lamparinas, a cama rude no galpão. Sobre o calor de algum fogão, na maior simplicidade,
Lauro Teodoro
Viviam enforquilhados na sobrecilha, dos matungos velhos no corredor, na tala do reio o pretume do suor, das batidas nas ancas e do arreio.
Lauro Teodoro e Luciano Salerno
Minha vó fazia pandorgas pra mim brincar na infância. Na vida do interior era bonito Ver pipa voando em voltas
Lauro Teodoro
Um gesto mirando o céu, Um sinal de amor no rosto. A imagem de fé e da esperança, Traz a dor do cochilo no posto.
Lauro Teodoro e Ilva Moraes da Silva
As vezes em sonhos retorno, pros dias da minha infância. Naquela vidinha interiorana, nos meus tempos de criança.
Lauro Teodoro
Enquanto as auroras no campo ofereciam a dádiva dos arrebóis. Entre assovios e latir de cuscos utensílios campeiros no galpão,
Lauro Teodoro
Ora! meu velho galpão, para onde foram as lidas, que te impôs a decadência, nessa condenação da vida.
Lauro Teodoro
Olhando esse mundo moderno, arrisco algumas previsões do futuro, terá gente vivendo no escuro, muitos viverão na rua,
Lauro Teodoro
Quando me escoro na roda de mate, Com alguns gaúchos de agora, Vou cismando, um triste arremate, Das lidas e dos costumes de outrora.
Lauro Teodoro
O mundo que esta mudado O tempo se passa voando, Alguns que ficam parados, E outros que ficam chorando.
Lauro Teodoro
A velha porteira da invernada, Sempre foi o norte do peão. por ali passava para as lidas, voltando pelos rastros no chão.
Lauro Teodoro
Minha tropa chegou cansada, Lá das bandas da fronteira. Se recostou numa aguada, Bem na frente da mangueira.
Lauro Teodoro
são recolhidas dentro de nós, de tudo aquilo que vemos, desde os tempos de nossos avós.
Lauro Teodoro
Serra, uma região selvagem Refugada dos campeiros, Onde o imigrante pioneiro, Domou, colônias e ladeiras,
Lauro Teodoro
As matas que conhecemos já não resta quase nada, não existem mais enxadas. Foram soterrada pelo trator,
Lauro Teodoro
Quando a liberdade se enfrena E ruma um campeiro pra cidade, Que no vigor da mocidade, Vai cabresteando, “o tirão”.
Lauro Teodoro
Rasga o silêncio da noite No sonho refresca o pranto, Os anos aclamam os açoites Na ternura em mil encantos,
Lauro Teodoro
JÁ CHEGOU A MADRUGADA O DIA VEM CLAREANDO, VOU REATANDO A CARGUEIRADA, PRA ESTRADA ESTOU VOLTANDO.
Lauro Teodoro
A Sombra caminha pelas encostas Onde nasceram os andarengos Sobre o couro dos bois da carreta Sobre o suor dos cavalos do arreio
Lauro Teodoro
DESDE QUE A AURORA NESCE, NASCE A RUDEZ DO TRABALHO, NA MEMÓRIA AS LIDAS, E OS BRILHOS DO SOL NO OLHAR, NOS PULSOS IDEAL DE FORÇA, E VIBRAÇÕES DO MALHO, NA FORJA A LUZ DA VIDA, NO BRONZE O JEITO DE AMAR.
Lauro Teodoro
QUANDO MENINO INOCENTE APRENDI DE TUDO NA LIDA, COISAS DE BICHO E DE GENTE, PELOS TERREIROS DA VIDA.
Lauro Teodoro
Quando começa o ano na escola Quase tudo é diferente, Conhecemos novos amigos, Que vem estudar com agente.