Galpão do Verso
Poetas

Luiz Menezes

61 poemas

Poemas

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  • A Morte de Pedro Ninguém

    Luiz Menezes

    Veio a cantiga da noite na garupa do aguaceiro cabresteada pelo vento. Até um relâmpado alçado

  • A Volta do Paisano

    Luiz Menezes

    Prenderam porque prenderam Nem lhe deram explicação... Só mais tarde na cadeia lhe disse: “à vontade,

  • Acalanto do Homem Só

    Luiz Menezes

    Olhou para as mãos trêmulas Para os braços descarnados, Com o olhar vago e cansado Lutando para enxergar.

  • Alegoria ao Jarau

    Luiz Menezes

    Os cerros do Jarau São pirâmides pampeanas Que algum FARÓ divino Aqui no pago plantou.

  • Além do Horizonte

    Luiz Menezes

    E todos disseram que além do horizonte há um mundo tranqüilo que todos esperam

  • Andarilho

    Luiz Menezes

    Que faço eu à beira do caminho A esperar sem saber o que seja? Quem sabe encontre aqui, assim sozinho Uma resposta pra minh’alma andeja...

  • As Cruzes

    Luiz Menezes

    A moça era linda como a luz da aurora Seus cabelos negros como picumã. Tinha olhar profundo, misterioso e vago Escondendo o trago do vinho do mal...

  • Assombração

    Luiz Menezes

    Rastreando recuerdos Meu verso se perde Entre muitos atalhos.

  • Atalhos

    Luiz Menezes

    Boleio a perna de distantes plagas Por onde andei desde que fui daqui, Cantei amor em luas diferentes... Volto mais velho, velho QUARAÍ.

  • Barro e Sol

    Luiz Menezes

    Nos dias negros de panelas magras Quando até a fome é canto de esperança, Olhava a estrada, cismarento e mudo... Mas era moço e a vida uma promessa.

  • Brinquedos de Guri

    Luiz Menezes

    Quando arriba do galpão, o sol vai perdendo pé E as casas de Santa-Fé desenham sombras no chão,

  • Cacimba

    Luiz Menezes

    Junto à cacimba ali à beira do mato Águas de sombras do arvoredo denso, Sinto tua falta, sinto o teu contato Quando tristonho em ti querida penso.

  • Canto e Morte de um Campeiro

    Luiz Menezes

    Na senzala das calçadas Seu poncho agora é a lua Como um retrato da fome -Canto negro da poesia- Insano ser que foi homem Um errante em agonia Inerte a dor que o devassa Na indiferença da rua.

  • Chão Batido

    Luiz Menezes

    No chão batido que enrijece a alma Do meu inverno silencioso abrigo, Ouço a saudade em passos lentos, calma Cortando atalhos pra matear comigo...

  • Coadjuvante

    Luiz Menezes

    Voltas ao palco após um tempo insano Para dar vida a uma cena morta... No drama inverno do meu desengano Quando já nada pra nós dois importa.

  • Coração Bagual

    Luiz Menezes

    Neste meu peito bagual Quanta saudade, xô égua! A mágoa que se carrega E sempre dura de roer

  • Divagação

    Luiz Menezes

    Oh rudes varais da vida! Velha porteira dos sonhos Que aprisionaram meus cantos No potreiro do luar...

  • É Tarde

    Luiz Menezes

    Fica comigo um pouco mais, é cedo! O céu é negro... A chuva cai lá fora; Desfaz do rosto esse torpor de medo, Te aquece ao poncho, não te vás agora!

  • Espera

    Luiz Menezes

    Perdi a conta quantas vezes triste Fui à porteira olhar com ansiedade, Pra esse caminho por onde partiste Deixando ao vento a poeira da saudade.

  • Esta Noite

    Luiz Menezes

    Esta noite vou silenciosamente Meter um trago pra matar a sede; Quero canto, violão quero ouvir gente Cansei de conversar com as paredes...

  • Faz Tanto Tempo

    Luiz Menezes

    Era dessas lavadeiras que deixam as roupas bem alvas perfumadas de limpeza...

  • Fiquei Mais Velho

    Luiz Menezes

    Fiquei mais velho com reminiscência Dessas razões que dão à vista a calma, Restando apenas toda a experiência Que faz um velho ser um moço n’alma.

  • Fogueteiro

    Luiz Menezes

    Mas oigate vida “braba”! Que profissão desgraçada... Era um forte e, no entanto Vivia a margem da sorte.

  • Galpão

    Luiz Menezes

    Velho galpão és o santuário do gaúcho Como o mais firme palanque de emoções. Tu representas toda a fibra de uma raça Que se tempera nos brasedos dos fogões.

  • Glória da Saudade

    Luiz Menezes

    Eu te agradeço o bem que me fizeste Por esta glória de sentir saudade; Eu te agradeço a lágrima que deste Em holocausto à minha mocidade.

  • Lombo Duro

    Luiz Menezes

    Eu sei chinóca, este meu lombo Duro me fez solito, mastigando olvido... Já sem presente sem prever futuro Sigo no rumo do desconhecido...

  • Mateando Solito

    Luiz Menezes

    Era dia de festa. Na ramada, Uma cordeona derramava guinchos Que iam de encontro ao eco dos buchinchos De eras passadas de entreveros machos

  • Meu Nome é Legenda

    Luiz Menezes

    Venho do fundo do Tempo Há muitas luas que ando! Sou o presente cantando Na harmonia do passado;

  • Minuano

    Luiz Menezes

    Que se passa contigo, Minuano? Que atropelas o rancho indefeso Espantando o calor que ali dorme

  • Mudaram os Tempos

    Luiz Menezes

    Quando o caudilho se lhes dava o rumo Todos seguiam por ideal no más; Queimando um baio, saboreando o fumo Lembrando o rancho, a china, o nunca mais...

  • Mulata

    Luiz Menezes

    Mulata de ancas bonitas Bolia com o seu instinto... E aqueles cabelos lisos Negros, que iam à cintura,

  • Na Ronda do Tempo

    Luiz Menezes

    O Tempo, caramba! Tropeiro da vida Repontou-lhe os dias Mais lindos vividos

  • Noite de Ronda

    Luiz Menezes

    Nasceu na invernada Comprida dos fundos No rancho do posto Bem longe de tudo

  • O Payador e o Rancho

    Luiz Menezes

    Passei a vida cantando Como changueiro de tropa De mil donos diferentes E se fizeram rotinas

  • O Sonho do Carreteiro

    Luiz Menezes

    Carreteou anos a fio. Conhecia palmo a palmo as estradas da querência; Sabia onde dava passo

  • Paisano

    Luiz Menezes

    Um dia chegou de longe, Nunca se soube de donde... Chapéu quebrado na testa E um lenço preto ao pescoço

  • Passos Vacilantes

    Luiz Menezes

    Lembras-te amor o quanto era bonito Aquele tempo de ternura imensa, A desfolhar nós dois a mesma crença A sufocar nós dois o mesmo grito?

  • Peona

    Luiz Menezes

    Cidinha fez sete anos Sem festa, presente, nada... A data só foi lembrada

  • Prenuncio Lírico

    Luiz Menezes

    Uma gota d’água Rolou pelo vidro Da minha janela; Num prenúncio lírico

  • Preta Velha, Siá Maria

    Luiz Menezes

    E mataram Clarimundo! Foi a notícia na venda. Como notícia se emenda A aldeia ficou sabendo.

  • Professora

    Luiz Menezes

    Que estrela te esconde Professora querida Operária divina Dos meus tempos de piá?

  • Quando a Ilusão Fenece

    Luiz Menezes

    Na luta intensa do amanhã incerto Por onde vivo só reside ainda, Minha ilusão palmeira do deserto Das glórias vãs, o sonho que não finda.

  • Quando a Vida Amadurece

    Luiz Menezes

    Depois que nossa vida amadurece Nossos dias têm sempre a mesma cor. Onde andarão nossos cantos juventude?

  • Recuerdos

    Luiz Menezes

    Um dia longe fiz um rancho tosco De pau-a-pique, ficou lindo até. Uma ramada no oitão, florida Que contrastava com o santa-fé.

  • Repontando Ausência

    Luiz Menezes

    Quando dou largas a meu pensamento Sinto no peito os entreveiros loucos, Dessa tropilha, - minha mocidade - Que vai morrendo lentamente aos poucos.

  • Retrato

    Luiz Menezes

    Chegou, sem pedir licença Me viu sentado, sentou. Eu esperei que falasse Ela falar, não falou.

  • Rio Quaraí

    Luiz Menezes

    Sonhos pueris, fantasias Dos meus tempos de guri; Fui moderno bandeirante Um campeador de brilhante

  • Sombra

    Luiz Menezes

    E dizem quem passa Andando apressado Buscando na fuga Um novo caminho,

  • Teatro Vazio

    Luiz Menezes

    O velho Palhaço Chegou frente ao teatro De fachada triste, E olhou cismarento

  • Tropa Amarga

    Luiz Menezes

    A tropa se perde espargindo searas de angústia e revolta, palpita no seio

  • Última Lembrança

    Luiz Menezes

    Eu hei de amar-te sempre sempre além da vida Eu hei de amar-te muito além do nosso adeus Eu hei de amar-te com a esperança já extinguida De que meus lábios possam ter os lábios teus.

  • Último Pealo

    Luiz Menezes

    Morena linda te chegaste como um sol Ao bambural do meu potreiro de existência, O teu olhar - olhar que tem da flor a essência - Encheu de luz este meu rancho solitário;

  • Último Pouso

    Luiz Menezes

    A morte a china me leva traiçoeira que até dá pena vive a pelear gente buena sem se importar com o gaudério não sei que estranho mistério

  • Um Causo

    Luiz Menezes

    À sombra do meu rancho - hoje tapera Aboletou-se um dia uma prendinha; Eu nunca perguntei-lhe porque viera Nem ela mesmo disse porque vinha.

  • Um Rancho no Céu

    Luiz Menezes

    Depois do almoço uma chuva mansinha com jeito de china que leva uns galopes,

  • Vaqueano

    Luiz Menezes

    Sou um vaqueano sem rumo Pra quem a estrada não conta... De tanto cruzar atalhos

  • Velha Taita

    Luiz Menezes

    (Em memória de meu pai) Velho Taita de outras eras Te vendo sob a ramada

  • Velho Candeeiro

    Luiz Menezes

    Apaga a luz velho candeeiro, apaga! Faz com que o rancho torne à escuridão; Pré que meu poncho e minha velha adaga Não sintam fraquejar meu coração...

  • Velho Poncho

    Luiz Menezes

    Velho poncho cobertor de rancho pobre Companheiro de incontáveis invernias, Minha carpa caminhante, me seguias Aquecendo a minh’alma de andarilho.

  • Vento Daninho

    Luiz Menezes

    Quando a noite emponchava o rancherio Eu ficava mateando, ouvindo atento Para escutar trazidos pelo vento Aqueles passos de um andar macio...