A Boca do Monte Grande
Moisés Silveira de Menezes
I Uma linha imaginária A oeste de Cabo Verde
52 poemas
Moisés Silveira de Menezes
I Uma linha imaginária A oeste de Cabo Verde
Moisés Silveira de Menezes
A faca, lâmina, cabo ferro e pau-ferro fundidos a faca parte, reparte corta, perfura, ponteia
Moisés Silveira de Menezes
A faca, lâmina, cabo ferro e pau-ferro fundidos a faca parte, reparte corta, perfura, ponteia
Moisés Silveira de Menezes
Se é pra falar de araganos cavalos e homens gaúchos Pedro era o nome, recordo pedra Pedro, inquebrantável
Moisés Silveira de Menezes
Uma tordilha ligeira Dos contos de Andaluzia Levita por sobre pastos Num galopito estirado.
Moisés Silveira de Menezes
I Humanidade, humanismo Expressões profundas, fortes
Moisés Silveira de Menezes
Com seu cortejo de sombras a noite surpreende a tarde, o aroma das primaveras maçanilhas e alfazemas
Moisés Silveira de Menezes
A face nua primeira da pampa longe do gado, distante de seus cavalos antes das lanças e espadas.
Moisés Silveira de Menezes
Minha terra sem palmeiras muitos palmos, muitos palmos de terras enconflitadas sabiás sabicantantes
Moisés Silveira de Menezes
Meu Irmão de Rimas livres permisso pede o cantor para opinando saudar terra dos ancestrais
Moisés Silveira de Menezes
Quando vim de lá, trouxe quase tudo, tudo que cabia na velha mala sebruna e nos anseios de horizontes largos. Ficou um potro cabos negros
Moisés Silveira de Menezes
A voz do vento traz sons que calam fundo na alma na noite primaveril prenhe de angústias e medo
Moisés Silveira de Menezes
Sete centelhas sonoras, medida velha de lei, forjou respeitada grei na florescência de outrora,
Moisés Silveira de Menezes
Confrades de rimas rudes, Tupã foi berço divino pra quem aprendeu a cantar com claves de vento e rio
Moisés Silveira de Menezes
I Hum mil e oitocentos e sessenta e seis o ano. Na Vila Boca do Monte
Moisés Silveira de Menezes
Sem recordar os seus olhos Dois luzeiros cintilantes, Mirando um ponto qualquer, Lembro a vã tentativa,
Moisés Silveira de Menezes
Do alto de si mesmo, senhor de si... o cerro guarda a lagoa que se espraia vagarosamente... entrelaçada ao vento
Moisés Silveira de Menezes
Não, não me pintem por favor, pilchado, bem montado em flor de flete; pelas bailantas, fandangueando alpedo, arrastando a asa pra morochas lindas.
Moisés Silveira de Menezes
I Kaingang no campo aberto, Xokleng nas araucárias. Ao olvido das plegárias,
Moisés Silveira de Menezes
A INVERNIA EXTEMPORÂNEA PLASMOU A NOITE DE OUTUBRO DE UM NEGROR SOMBRIU, GELADO, QUE FAZ LEMBRAR OS AGOSTOS DE ACINZENTADAS LEMBRANÇAS QUE BAILARINAM NA MENTE DE QUEM,
Moisés Silveira de Menezes
João Maria, filho meu É tempo de boa nova toma o cajado e a estrada que a hora já é chegada,
Moisés Silveira de Menezes
I Entonado num Tordilho Da cruza moura-andaluz Nena Franco vem ao tranco
Moisés Silveira de Menezes
I Vem de longe, genuíno! Um tostado frente aberta, olhar de águia em alerta.
Moisés Silveira de Menezes
Rosário de nove contas, Nove pérolas-colar, Nove naus a navegar, Desde o mar de Portugal.
Moisés Silveira de Menezes
Um manto de sete séculos um clamor que não se cala sonhos, visões de justiça nos porões da tirania.
Moisés Silveira de Menezes
Mal despertara a manhã, - Ao tranco do colorado -, Guitarra atada nos tentos, O mestre agarrou a estrada
Moisés Silveira de Menezes
Bela e amável senhora apareça no terraço deixe que a brisa brejeira bata leve seus cabelos
Moisés Silveira de Menezes
Quando o sol se esparge em raios Sobre a coxilha e plainos Vozes antigas renascem Pelas encostas dos cerros
Moisés Silveira de Menezes
Baio estrela, cabos negros trote largo, Inácio Rosa recolutando recuerdos pela estrada das missões.
Moisés Silveira de Menezes
Quando o sol da meia tarde clareou os sulcos do rosto do andante que chegava, jeito simples, tranco firme,
Moisés Silveira de Menezes
De onde vieram!? Pra onde irão!? Donde Vivem!? Isso tudo me inquieta.
Moisés Silveira de Menezes
Andei buscando metáforas Para compor-te um poema Descartei muitas figuras Na relancina do olhar
Moisés Silveira de Menezes
Não busquem pelo poeta na teia crua do verso. Fantasmeiros figurantes ressuscitam gastas lendas,
Moisés Silveira de Menezes
Quando a filha de dez anos morreu nos braços da mãe num casebre de arrabalde, João Guedes cerrou a porteira, agora... a do coração...
Moisés Silveira de Menezes
Livre, surgiu no deserto tripartido por amor à tenda, à lança, ao cavalo. Nômade, migrou no rumo que lhe apontava a inquietude
Moisés Silveira de Menezes
O rio, santuário andante Fascina, atrai e trai Espírito em movimento Vivenda de vida e morte
Moisés Silveira de Menezes
Quando um acorde celeste se desprende do infinito e vem me falar de manso pela boca escancarada
Moisés Silveira de Menezes
Cando la pampa se duerme entre zambas y vidalas que viven en los ocultos del alma y de la guitarra,
Moisés Silveira de Menezes
I Vida, destino, dilema, página em branco ao arbítrio,o tempo com seu grafema.
Moisés Silveira de Menezes
Num ermo fundo de campo, no contra ponto forte do cerro, bem onde o rio faz a curva, no pago da minha infância
Moisés Silveira de Menezes
Negros “maidanas” surrados sombreando cinco ventenas de tal modo distribuídos como a antever no vislumbre
Moisés Silveira de Menezes
Quem embarca em barco alheio embarca anseios e medos abarca sonhos nos braços que lançam redes no mar
Moisés Silveira de Menezes
I Quem não souber de distâncias de estradas que se desdobram
Moisés Silveira de Menezes
Sem assombros dos Açores para os açoites do sul mudança, mudando a sina. Um punhado de sementes
Moisés Silveira de Menezes
Barba escura chapéu negro O lenço de um rubro forte Sobrepairando na gola Do poncho azul de baeta
Moisés Silveira de Menezes
Estendeu-se o olhar pela lonjura, um pouco mais além do horizonte, onde moram a distância e a saudade. Para onde voa sempre o pensamento,
Moisés Silveira de Menezes
Talvez deva ser tristeza, Uma força tão estranha Que põe estrelas na insônia E a alma quase sem rumo,
Moisés Silveira de Menezes
Hino, Bandeira, Brasão a trindade principal Sob o céu da pampa grande Simbolismo imemorial.
Moisés Silveira de Menezes
Quando o sol vai despacito me quedo mateando quieto no velho ritual campeiro que faz ausentes de afeto
Moisés Silveira de Menezes
Um regimento aguerrido viu-se preso de repente numa engenhosa emboscada, a frente mil de a cavalo
Moisés Silveira de Menezes
Com perfeição recortada junto a linha do horizonte vislumbrava-se da estância silhueta em cor escura
Moisés Silveira de Menezes
Invadiram meu recesso torpedearam meu exílio perturbaram meu idílio vou embora, vou embora