Palavra
Hoje resvalo o buçal e te liberto palavra... Volte pra o campo, teu mundo, Que tantas vezes, meu mundo Fez colorir de ilusões...
Hoje te peço perdão Por te encontrar machucada, Perdão, palavra judiada Pelo rigor das vaidades Onde usei tua verdade Pra aliviar o meu pranto Sem saber secar, teu pranto Feito de vida e saudade.
Perdão palavra julgada Pela sentença de tantos Que não compreendem o encanto Que um dia vi, em teu nome Perdão palavra, a este homem Que te entregou ao olvido E ao descaminho contido Na luz, que o aplauso consome.
Perdão palavra ferida Pelos espinhos do tempo Tu, que nasceu como os ventos, As aves, luas dos céus E as estrelas, em teu véu Que te cobriram o destino; Mas meu humano egoismo Te aprisionou num papel.
Perdão palavra, te peço De joelhos e alma nas mãos Pelas tuas dores, perdão, Quando roubei tua alegria E te tornei, poesia Nesta passagem que vivo Sem nunca habitar um livro, Numa gaveta vazia.
E te liberto palavra Pra que retorne as saudades Te liberto das vaidades Das luzes de ilusão; Do julgamento pagão Frente a sentença de tantos E te ofereço meu pranto em troca do teu perdão.
Volta ao teu tempo palavra, Te espera o campo dos fundos Te espera a paz do teu mundo Te espera a tua verdade; Eu, me entrego a realidade De retornar ao silêncio Pra ti, palavra ser vento Pelas mãos da liberdade...
Este é o campo, teu mundo Foi tantas vezes, meu mundo, Colorido de ilusões....
Hoje…. Hoje depois do buçal Te vejo livre, palavra!