Açude da infância
Açude da infância
Açude de minha infância... Nos barrancos deste chão Taipa, vertente e ladrão Fluxo d'água em constância Carrega em si relevância Dos janeiros falquejados Traz no verde espelhado A sina de uma vida Cada seca... sentida Ja lhe fez... acostumado
Pelo cascudo entaipado Nas tocas do barranco As carpas margeando o flanco Cabeçuda, capim e prateada Vejo a doce madrugada Dando lugar ao sol nascente Numa gravura evidente Do amanhecer refletido No mais nobre sentido Que comporta essa vertente
Onde a água encontra a vida E a vida nada de costas O sol reluz nas encostas Onde o verde é quem valida A aura que é bem vivida Junto ao manancial fluente Pesco de maneira inocente Frente ao colorido das águas No açude de minhas mágoas Tarrafeio lembranças da mente
Sobejando água a la pampa Vertendo de sobrepor Fazendo a vez de fiador A nascente de fina estampa É água que desce a garganta É água que traz o sentimento Vertendo em tom pacholento Acalcado em opulência No chão verte clemência O açude garante o sustento
Sobre o espelho brilhante Refletido nas aguadas Reluz entre as prateadas As carpas da minha mente Entre as coisas da gente E as águas em sua quietude Neste pago de virtudes Carrego em muitos feixes O pasto que dou aos peixes Sendo o fiel do açude
Aqui a vida é um manancial De diversidades silvestres Onde figuras rupestres Margeiam este caudal E o modernismo rural Fica da porteira pra fora Espiando o que vigora Neste meu mundo silente Onde a paz é uma vertente Onde o tempo não foi embora