Da janela do bolicho
Da janela do bolicho
Vinha ponteando o horizonte Alumiando como farol O mouro toldado a preceito O cogote feito um anzol Despachava terra com poeira Com meia braça de sol
O mouro cabeça negra De topete no focinho Uma flor sem espinho Num retrato do Berega Taura qual história grega Pela cola... um pavilhão Um retrato de tradição Por esta terra missioneira Nos campos desta fronteira Andeja o centauro brasão
Pelo basto castelhano E o pelego retovado Se via um taura gaúcho Num pingo bem encilhado Que na prataria do arreio Carregava um anseio guardado
Pelo corredor estendido Costeando o alambrado A sombra do flete marcado Num pampa esquecido Fez do campo um abrigo Para a lonjura do olhar Em que a grandeza do altar Faz da campanha morada E o pampa risca uma estrada Nas divisas deste lugar
Vinha tilintando as chilenas Com um pala rubro entonado Chapéu tapeado na copa Lenço vermelho encarnado Luzindo em cabo de prata Um caroneiro destapado
Ca no bolicho eu estava Cubando ao longe a picardia Pela estampa e valentia Do índio que se achegava Quem sabe por onde andava Ou quem sabe donde vinha Quais histórias que tinha Ali junto ao bolicheiro Calculava o forasteiro Do balcão da cozinha
O bolicho era parada certa Naquele corredor infinito Aos vaqueanos da sorte Aos tropeiros do pago bendito Não havia outro bolicho Nem neste, nem no outro distrito
Se viu cruzar de viagem Sem pouso e sem parada Cruzou a lo largo na estrada Mas mostrou camaradagem Visando longe a paisagem Deu sinal com o chapéu Em seguida olhando pro céu Tocou em marcha seu pingo Naquela estampa de domingo Seguiu os mistérios de um véu
Ja descampando o clarão Ao suspender a parada Aquela figura contida Fez do pensamento morada Quem era aquele gaúcho Que seguia o rumo da estrada