Devaneios
Devaneios
Esta estampa de domingo Que moldo sobre os arreios Carrega nos ombros anseios De uma vida contradita Por esta aura bendita Que florece ao anoitecer Pelos caminhos percorrer A imensidão que a alma suscita
Frente a porteira dos pensamentos Apeio do velho gateado Deixo as rédeas no costado D'algum "moirão" estendido Neste Rio Grande precavido De viver ensimesmado Onde o pezar é costeado E se entoca recolhido...
A vida não espera Remendar o laço á preceito Qualquer nó bem feito Da conta do recado Quando anseia maneado O redomão mais maleva Tempo não se renega Quando por pressa é buscado
Neste rio de aflições O gateado pateia encilhado Traz o lombo molhado Do suor de suas andanças As vezes pingo das crianças As vezes montaria de floreio Este pingo é meu anseio Protocolo de lembranças
No potreiro da existência Dou cancha e todo pano Neste pingo soberano... Que faz vezes de irmandade Este pingo mocidade Traz na sincha o rigor O verdadeiro sinchador Traz consigo uma saudade
Pelo brete da esperança Afunilo as aflições Quando a lo largo... as razões Gracejam em virtude Não há no pampa à miúde Sentimento mais complexo Que o campeiro reflexo Espelhado num açude
Pelas lebres... pelos galgos... Pela carreira na coxilha Não há mais formosa trilha Que andejar o mundo vagando Onde o mapa se vai curvando E aquerencia as divisas Das pretensas balizas Que este chão vai moldando
Trago na bombacha de dois panos No lenço e na alpargata Esta sina maragata De viver a vida peleando Trago por si um desmando Que anseia por recomeço Corrigir no vivente tropeço Enquanto a vida vai passando
Estes são anseios da sorte De quem faz no horizonte, morada São devaneios da estrada Pelo verde descampado Onde o velo na cerca farpada Emoldura uma cicatriz Traz pelo campo um matiz Envernizando um mapa borrado
E o tempo?
O que é o tempo afinal O tempo é mão soberana Que abençoa a alma mundana Onde os delitos e as penas Versejam em cantilena Ao tocar a vida por diante Quando o pajador ressonante Faz do tempo... poema