Manifesto do silêncio
Manifesto do silêncio
Nas cercanias do povoado E nas colônias lindeiras Pelos planaltos e fronteiras Deve se ter muito cuidado Pois fofoca é o termo usado Para comprar aceitação... Moeda de troca do vilão, Que busca ser visto Que anseia ser quisto E peca pela confusão
Na constância da falha Se perpetua a vigiar Coabita o mesmo lugar E andeja no fio da navalha Na discórdia que espalha Entre a ira que granjeia Parece gostar da peleia Com mentiras ou verdades Manipula a sociedade Falando da vida alheia
Onde se acautelam os incautos Se protelam os audazes Em suas demandas vorazes Os faladores quebram o salto Calando-se enfim os arautos Em propagar a contenda Não há reparo que emenda A contundência dos dizeres Quando seus vis afazeres A verdade por si desvenda
Ao descortinar o véu Onde o incrédulo Grão-vizir Contempla a falácia partir Como poeira indo pro céu E o fidedigno troféu Na veracidade que vislumbra Olha o cauto, que alumbra A certeza terna da retidão Onde o afrontado guardião Guarda verdades na penumbra
Em silente esboço...o Caos Ao prenúncio que evoca O desaponto que provoca Em traição por degraus Evidente violação dos maus Com renúncia aos pares... São dizimistas vulgares Que transitam de mão cheia Trazendo informação alheia Frente a cortina dos pesares
Entre atualidades humanas Sobre a conjuntura social Tricotar de forma verbal Os fios da vida cotidiana São carências mundanas Desde que os dizeres afora Recaiam a quem foi embora Na distância do persistir Muito pior do que mentir É intervir... no que vigora
Quando enfim vem a conta O incredulo começa a crer Quando o cego torna a ver Onde o oculto se desponta A verdade quando afronta Fica o dito pelo não dito Pois o difamador bendito Se da conta da intriga E na espera de uma briga Pavimentou o conflito
Em tom e forma erudita As palavras aqui contidas Nas cicatrizes vividas Duma ausência bendita Onde ausência suscita Um sentimento pesaroso Um desligar afetuoso O corte se faz necessário O que se guarda em relicário Nem sempre é precioso
Mas quem somos nós Diante da traição de judas Palavras que hoje... mudas Trazem por convicção atroz Que é melhor estar a sós Comungando os devaneios Entre os atos mais feios Está o evidente relatório Num displicente auditório Flertando dizeres alheios