Memorial do mate
Memorial do mate
O amargo que rompe o dia Verdeja o brilho dos olhos Trazendo em si os abrolhos Que fazem da vida poesia Em drama ou melancolia Traz vivências campestres Pensamento dos mestres Análises de convivios Onde o sorver traz alívio Aos pesares terrestres
O chimarrão é abrigo Companhia em gratidão O único luxo de um peão... Que tem no mate um amigo Carrega sempre consigo A cuia de bom tamanho Porongo claro ou castanho A bomba, simples que seja Pra o índio que andeja Na culatra do rebanho
A erva sim... verdejante Que espuma ao cevar Onde o gosto de matear Apruma rosto e semblante E torna o guasca pujante Já na primeira sorvida Os olhos brilham pra vida Daquele que não via a hora Apeando sem demora Pra matear depois da lida
A água quente em vapor Alquimista dos pampas Sobre a erva se acampa Numa simbiose de calor Pertencimento e sabor Compõe em ritual diário Deste que mateia solitário Ou daquele que chimarreia Com os pares que rodeia Num convívio necessário
Para mim são memórias Que desentocam do peito Ao ajustar a cuia com jeito Me recosto em histórias Onde a vida é compulsória Ao não permitir omissão O amargo é um coração Que pulsa fora da gente Um amigo confidente Que nunca negou a mão
Em solenidades formais Nas mangueiras, e galpões Entre campeiros e patrões Nas praças e catedrais O mate irmana os iguais Que convergem na liturgia Onde o sangue e a valentia Destes antigos farrapos Desçe na guela dos guapos Em forma de sabedoria
Alcançar o próximo mate É sinal de pertencimento Trazer na palma sentimento Ao que chega do combate Deixar, la fora os embates Para sorver despacito O néctar do pago bendito Que nos prenuncios do fim O ronco forma um clarim Marcando um ritual infinito
Em comunhão devotada Pelo mate, desde guri Uma herança Guarani Da missioneira invernada Que traz no mate alvorada Dos costumes ancestrais Segue unindo os demais Em torno deste relicario Onde o mate é santuário Dos costumes imortais