O Açougueiro
O Açougueiro
Traz pela morte um ofício No mais infame semblante Na sina de quem garante O pecuário sacrifício Garantir por certo o munício Na mesa do cidadão Faz desta nobre profissão Um termo de garantia O esquecimento por revelia Faz desta lida, tradição
Passado por gerações Aprimorado em família Coureando uma novilha Nos primórdios dos galpões Mesmo antes dos caminhões No tempo das dificuldades Se tornou uma faculdade Passada de pai pra filho Legado que segue o trilho Da ancestral habilidade
Tem por grandeza e importância O aspecto garantidor Pela evolução um fiador Da mais alta relevância Acautelar a proteica vigilância Neste universo carnívoro Embasado e sem equívoco Hoje segue um ritual Ter por garantia fiscal Um processo claro e metódico
Perdera por certo a contagem Na imolação dos semoventes Pequenos, médios, imponentes Se entregaram nesta passagem Reafirmando pela coragem Em sacrifício devotado O sangue em solo sagrado Assegura por comunhão A sublime evolução Em doação e cuidado
Voltando por conseguinte Ao eixo do tema Os olhos deste poema Por despeito ou acinte Evidenciam o requinte Na arte de trocar uma vida Fazer de uma entrega contida Um ato de prolongamento Trazer ao povo sustento Ao custo de uma perda sentida
Entre o barulho da carneadeira E seu contato com a chaira Uma evocação que paira Ao abrir uma porteira Evidente prisioneira Neste sumo protocolo O sangue que toca o solo A carne que sobe no gancho O voo lúdico do carancho Emolduram a faca que eu amolo
Pampa, brasino, malhado Osco, cara branca Marca de fisga na anca Sinal de fogo marcado Gado mocho, gado aspado Gado de toda querência Bravios e de paciência Nesta convicção boiadeira Rebuscando pela fronteira Observando a solvência
Isto se tornou uma arte Que segue a descendência Puxar a faca com ciência Fazer da vida um aparte Ser aquele que reparte Um sacrifício em frações Ter por certo mil razões E motivos a fazer Transformam este ser Em referência aos rincões
Sentir por certo o cheiro Da carne assada na brasa Saber que para entrar em casa Andou um processo inteiro Que começou pelo campeiro Ao procriar sua tropa Que tempo e dinheiro não popa Para alcançar adiante Seu esforço tão importante O dia inteiro galopa
Percebida com cuidado Em solene liturgia A carne é garantia Para entender o passado O que garante o assado É o esforço desmedido O preço que é pedido Muita gente não entende Carne é bem que se vende Não é direito garantido
Sempre foi...sempre vai ser Ativo de valor agregado Tem preço vinculado No custo de se fazer Nascer, crescer, engordar e morrer O povo por certo em vaidade Acha que é direito da sociedade Engraxar o bigode a baixo custo Desconsideram o certo e o justo E desconhecem a atividade
Neste arremate evidente Desta observação contida Falta conhecimento de vida Para um povo inocente Achar que este ofício valente Deve subsidiar os meios E alimentar os anseios Este verso em si constata Que carne não é barata E não serve a devaneios
E o Açougueiro por garantia De interveniente garante Avalista constante Da evolução e da harmonia Avalisar o prato do dia Do filé ao guizado Assegurar por certo o assado Numa manhã de domingo Churrasquear na volta do pingo Faz do Açougueiro, um legado
Aqui encerro em conclusão Andando de cabeça erguida Pois faz sentido pra vida Trazer na faca sua razão Na serra, no avental, no caminhão Timbra seu talento Muitas vezes contra o vento Segue a esteira do processo Alimentar o progresso Fazendo da profissão... sustento