O massacre dos bravos
O MASSACRE DOS BRAVOS
Nestes campos cebrunos Por galopes moldados Combateram pilchados Os vaqueanos reiunos Professores e alunos Na hierarquia farrapa Valentes de estirpe guapa Defensores de ideais Entre soldados e generais Os defensores deste mapa
Mano a mano frente a frente A brigada de negros lanceiros Foi a ponta dos entreveiros Nesta infame vertente Sangue rubro combatente Mesclado de suor e vigor Cambaleava entre sol e calor Tinindo ferro com ferro Entre lançaços e berros Da valentia mostrando valor
Um corpo de elite enegrecido Buscando vitória e liberdade Guerreiros na afinidade D'um Rio Grande oprimido Frente ao império... esquecido Entre promessas republicanas As lanças negras pampeanas Teixeira Nunes no comando Os lanceiros foram ponteando Nas batalhas mais insanas
Não eram apenas soldados Eram força de vanguarda Desprovidos de farda Figuraram negros honrados Entre os anseios buscados A libertação era prometida Nem a coragem desmedida Foi garantia suficiente E a pretensão desta gente Em Porongos foi esquecida
Os escravos que lutaram Foram traídos pela política O império temendo críticas Ante negros que tombaram E os bravos que lutaram Rebuscando a igualdade Certamente por vaidade O comando farroupilha Se deteve noutras trilhas Renegando negro e lealdade
Perdidos na honra inglória Deste passado combatente A carga negra silente É uma mancha na história Uma república sem memória Sem palavras de gratidão No sangue que banhou o chão Deixando a brigada ao vento Aqui acautelo em sentimento E excomungo em decepção
Entregues em sacrifício Ao Moringue sanguinário Porongos é santuário... Das almas em suplício Desarmados por artifício Dos seus pares farrapos Ali se perderam guapos Morrendo entre o pó e o barro E foi pelo General Canabarro Que a verdade veio em fiapos
Um acordo por evidência Para fugir da promessa A causa negra não interessa Á república em decadência E os ponteiros da resistência Foram vendidos por paz Numa artimanha voraz Entregues para morrer Em armadilha padecer Na soberania que volta atrás
Onde um povo sem virtude Acaba fazendo escravos Pelo sangue destes bravos Diria que a honra ilude E rebuscando plenitude Não achei perfil correto Nem mesmo o General Netto Deu solução aos viventes E largou rumo a Corrientes Encerrando este trajeto
Onde as glórias do combate Se ofuscam ante a falha E a verdadeira medalha Era ser livre por resgate Este infame arremate Tirou o brilho da peleia Com a verdade alheia Custando mais que a palavra A liberdade não destrava Matando aquele que anseia