O silogeu das esporas
O Silogeu das esporas
Se aprochegue pajador Aos galanteios da espinela Descrevendo com cautela Um fraseado com sabor Com textura, gosto e cor Dos tempos das estâncias Entre lonjuras e distâncias Neste universo eclético Ciência do verso poético Mesclado em ressonância
A Estância da Poesia Crioula Tem por manto um laurel Aos pajadores um quartel Dos cozinheiros...caçoula Como vertente que escoa Para um caudal de memórias Traz pelas palavras as glórias Destas vozes que ecoam Qual corujas que sobrevoam Sobre os livros de história.
Tem pelas raízes fincadas As âncoras do enredo Criada no dia de São Pedro Pelas legendas marcadas Tem... da raiz à copada O Sangue de seus patrícios Entre Jaime e Apparicio Grandes poetas vingaram Entre tantos que marcaram As rimas do xucro ofício
Versejar o tempo por diante Em compulsão expressiva Necessidade que deriva Da audição consonante Desejo de levar adiante Com dizeres provocativos Onde os lamentos cativos Ganham luz e forma Pela rima que transforma Desculpas em motivos
Um redondel aos letrados Criada por mentes diletas Academia xucra dos poetas Que trazem o verso costeado Domadores do verso rimado Que versejam a vida propondo Pela métrica dispondo Em mesclas com a história Marcando sua trajetória Épicos vão compondo
Um Silogeu campechano Com a alma da fidalguia Uma extensa academia Para rimas do cotidiano Altar do verso soberano Entre caminhos e andares Um panteão aos pares Na prudente literatura Cada letra vira escultura Na moldura dos pesares
Nesta Estância que bendigo Sou posteiro la do fundo Acolhero o gado fecundo Nestes versos que eu persigo Arrebanhando rimas pro abrigo Dos catálogos do tempo Ser pajador é sentimento De pertencer a terra nua Carregar a lança charrua Trazer no dom, juramento
Pela Estância... e pelo estado Sou alambrador de divisa Sou como tantos, baliza Esticando o arrame farpado Trazendo um limite marcado Para não perder a essência Fazer do poeta... querência Nestes tempos de aflição Onde a literatura e a tradição Encontram vida e consistência
A Estância é um contrato Entre poetas e pajadores Repentistas e declamadores Fazendo do dom, um retrato Do chimango ao maragato Verdadeiros profetas No rodeio dos poetas Fogoneiam as auroras Cintilando as esporas Versando em linhas retas
Este Silogeu é um arreio No lombo do verso xucro Não visa ganhos e lucros Mas tem por certo um anseio Fazer do legado um meio De perpetuar a liturgia Que faz da nossa poesia Um orgulho para tradição Uma vela na escuridão E um lampião na geografia