Papo de vento
Papo de vento
O parlapatão estridente Se resume em bravatas Onde as falácias ingratas São as mais frequentes Rudes falas eloquentes Sobre proezas e vitórias Sobre trunfos e glórias Quando lhe cabe ser grato A má sorte lhe tira o prato E deixa contando histórias
Na ânsia da grandeza Se reafirma em gavolices Propagando as tolices Abre mão da nobreza Onde a carência coeza Não permite aparte Nem louros reparte Tampouco ouve opinião Se postulando guardião Da razão, da vida e da arte
Jamais um elogio direto Quiçá algo positivo Na carência de motivos Observa mesmo discreto Quando se postula correto Propaga aos quatro ventos Que a razão do sustento Vem na firmeza dos passos E na força dos braços Baliza seu crescimento
Se engrandece na revelia Dos ouvintes resilientes Mal sabe que essas mentes Não comungam estrepolias Onde as fracas teorias São palavras ao vento O que ilustra o sentimento É um balão cheio de ar Zunindo baixinho a minguar Até sumir no relento
D'onde vem tamanha carência Sentimento da superioridade Reafirmando em sonoridade De quem diz sem prudência Eu sou a cara da insolência E quero ser reverenciado A vocês aqui ao meu lado Aprendam como se faz Somente eu sou capaz Porque sou muito escolado
Ante a torpeza ilusória Cavalga sereno na ingratidão Onde a desprezível presunção Se enaltece na vã glória E os créditos das vitórias São vindos da singularidade E quem ajudou de verdade É perdido pelo caminho E diz que venceu sozinho E deve tudo a sua vontade
O ostracismo por banimento É o caminho sem volta E sua abnegada escolta Encerra em esquecimento Testemunhas do aviltamento Pedante de ineficácia moral Que corrompe em ato formal A lealdade outrora sentida Que um dia foi desmedida Hoje é meramente parcial