Transcender
Neste compasso da rima Que evoluo em devoção Vou curtindo cada verso Que acolhero de antemão Formando estruturas reais Que se agigantam na visão Pois sou semeador que planta E verso nenhum se levanta Entre o Gildo e o gavetão
Ando rimando a esmo Por compulsao expressiva Acho que é transtorno Ou necessidade compulsiva A rima é estado de espírito Que amarra a alma a deriva Não há mania mais bela Do que abrir esta tramela Da porteira mais cativa
Entre um palheiro e o mate As palavras surgem na mente Como trovões no horizonte Anunciando chuva inclemente Onde os pingos e as idéias Caem de forma inocente Formando manancial de águas Onde afogo muitas mágoas Nos versos da minha vertente
A caneta ganha vida Riscando em velocidade Transmitindo os pensamentos Entre causos e verdades Sei que preciso escrever Rebuscando saciedade A obra reluz em calma Acalentando minha alma Onde encontro liberdade
Acarcado em tempo feio Trinta e oito na cintura O declamador vira estampa Num molde de escultura É o Rio Grande de bombacha Que traz no verso a bravura Onde o mapa se agiganta Moda nenhuma suplanta Quem nasceu pra ser cultura
Onde o lenço é uma bandeira Entre blanco e colorado A mala de garupa no ombro Não é enfeite de costado Sobre os traços do vivente Sobresai o chapéu tapeado Do luzeiro dos olhos calmos Reluzem certos os salmos Dos profetas do meu estado
Versejar é dom poético Da ressonância do ser Onde versejador e dilema Carregam a sisma de ver Rebuscando o indizível E muitas vezes padecer Na incompreensão do mundo Onde o sentimento mais profundo Tem o dom de transcender