Cá da Última Janela
Cá na última janela o vento zomba da vida, passa uivando pesares pra uma alma em despedida... A dor martela na carne num lento e duro martírio e o fantasma do adeus vem rondar o meu delírio...
Meu mundo é um esboço chumbo desprovido de matizes, mas no quadro do passado teve tons de arco-íris... Quando esta velha janela se fechou na minha frente tudo ficou desbotado num matiz também morrente...
Nesta janela sem grade sou temporário cativo, talvez seja um penitente por teimoso ainda vivo.. Numa mirada febril a minha fé esmaece pois a almejada cura Deus só da pra quem merece...
Na janela dos meus olhos refletem analogias, dispersei as ESPERANÇAS digerindo judiarias... O meu olhar constrangido se perde além na distância, pois cruzei rumos alheios estrivado na arrogância..
Hoje, com dias contados perante a vida real, percebo sermos iguais quando se chega ao final... Vejo minha vida pingando com gotas que tiram dor, mas a janela me tenta a ter asas de condor...
Quando tomarem tenência que somos meros e vagos, terão ciência dos por quês desta agonia que trago... Cá da última janela prevejo um voo seguro a urgência vem de pronto abreviar o meu futuro...
Talvez encontre o inferno já que a vida é um dom sagrado, mas a carrasca evidência faz descaso do pecado... Por isso nesta janela o momento é oportuno pra voar pleno e liberto buscando o último rumo...
Cá da última janela é tão fácil meu intento, pois talvez eu vire pluma por ironia ao vento... São as razões de quem anda sem ter nada pela frente. ... a dor na carne vencida quase endoidece um vivente!
Talvez achem covardia minha insana vontade, tento conter a loucura recluso na realidade... A janela me encoraja a ser o piazito rude que mergulhava sem medo da taipa alta do açude...
... Quem sabe até Deus perdoe as blasfêmias de um incréu, e na queda me de asas pra eu voar rumo ao céu!!