Quando um Verso Pede a Palavra
Permísso meu caro vate, o momento é oportuno pra que este verso terrunho chegue pedindo um aparte...
Te vi longe, nos primórdios do quaternário antigo, um nômade neolítico margeando o Nilo e o Tejo selvagem por puro instinto.
Depois andou no Egito, em desérticos trajetos macabro, vago e proscrito. ... viu sarcófagos e múmias faraós em seus impérios, e pirâmides sombrias com milenários mistérios.
Na Grécia da Odisseia Homérica e Herculana, filosofou com Platão a decadência Espartana. ... viu Tróia sendo invadida por um flete diferente e o calcanhar de Aquiles alvejado fatalmente.
Na Babilônia gigante remota mas deslumbrante, regou os jardins suspensos de um universo em flor, na mais burlesca quimera de Nabucodonosor.
Em Roma, por miles fatos: ... mamou na loba lendária. ... leu a lei das doze tabuas. ... notou um rubro dantesco no olhar cruel de Nero. ... viu Calígula ousado nomeando cônsul seu potro. Depois ouviu Júlio César recitando brando e bronco na insensatez de um plenário de senadores e loucos.
Na terra de Ali Babá passou “Mil e uma Noites” protegido por Alá... ... foi califa cameleiro. ... sultão ungido de fé. ... um beduíno doutrinado pelas leis de Maomé.
Em Gales viu Rei Artur cravar a espada na pedra quando a Távola Redonda tombou e rolou na queda... Em Castela foi bem antes com Celtas e Pirineus, com cavaleiros andantes, com El Cid Campeador e Quixote de Cervantes.
Na França, talvez profano levou a cruz nas cruzadas pra Cristãos e Muçulmanos. ... aliou-se a Rei Ricardo o Coração de Leão, e resistiu a intempérie que derrotou Napoleão.
Em Portugal, de Cabral de Vasco e Nuno Tristão, engoliu mares e milhas com Camões e Diogo Cão... Na frota das treze naus num solene mês de abril, carregando a Cruz de Malta veio ancorar no Brasil.
Pois bem meu caro poeta, enfim Brasil tua pátria -por conseguinte o TEU PAGO-
Tem a elegância dos sábios os lumes da inspiração que encontrou nos alfarrábios. ... pura cultura o que fez mas por terrunho acredito desnecessário talvez...
Agora cante teu Pago! Quero ser teu universo num canto xucro e bagual! ... em verso eu sendo o Rio Grande serei por certo IMORTAL!!