Onde Dormem as Solidões
Mais de um século de almas habitam a casa antiga, onde o vento faz cantiga de ninar para os fantasmas... ...E as solidões dormem calmas. Passado, agora é presente: (Água boa, de vertente, e que aroma de tempero!!! Da cozinha, vem o cheiro, da panela em ferro quente)
...abrigo antigo de avós povoando filhos e netos, se eram escassos os afetos, respeito havia entre nós, ninguém levantava a voz desrespeitando os mais velhos... e a rigidez dos conselhos, forjava os ideais. O olhar firme dos pais... Atravessava os espelhos.
Paredes pela metade, O forro vazando estrelas, por onde a lua, sinuela, pinta de prata a saudade sem saber que a mocidade fica presa nos retratos... Nosso inimigo, de fato, ...Bem disfarçado... É o tempo... Rouba o que foi sentimento, devolve silêncio e mato.
O poço, em sua moldura, arredondada de pedra... Espelho que às vezes quebra, recompõe caricaturas, guarda, nas suas funduras, os segredos do passado... Revela, por outro lado, a austeridade do tempo nos repontando bem lento, feito uma tropa de gado.
A saudade... Apunhala... Nos momentos de inquietude emoldura a juventude que trago junto, na mala... Alguns remendos no pala, as botas, solados gastos... Vou carregando, de arrasto, o meu destino de andejo, igual a mim, eu te vejo... -Velha casa... Aos pedaços-.
Há imagens em esboço na memória adormecida... O espelho, velho, da vida, vai trincando o rosto moço: Igual o balde do poço mergulhado, bem no fundo... Restam os sonhos, oriundos, de sentimentos, mais ternos, que se tornaram eternos... -Nos relicários do mundo -.
Casa antiga, eu jamais, vou te habitar tanto assim... Sou de ti, tu és de mim, nossas almas são iguais... O vento, pelos beirais, toca a mesma canção... És fonte de inspiração, morando dentro da gente... ...E a saudade é ferro quente, marcando o coração!