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2.842 poemas no acervo
Eron Vaz Mattos
O progresso e o tempo novo Mataram os rebanhos, As comparsas de esquila a martelo... O brete, o rodeio e as marcações
Aureliano de Figueiredo Pinto
Já sei que chegas, Inverno velho! Já sei que trazes - bárbaro! O frio e as longas chuvas sobre os beirais. Começo a olhar-me, como em espelho,
Luís Lopes de Souza
O tempo carrasco me condena... Mas os fogos do delírio não me cingem e os fantasmas do adeus não me assombram...
Apparício Silva Rillo
Eu tenho Salamancas no meu peito e nelas Teiniaguás pardas ou louras. São ibéricas heranças no meu sangue que fluem da estirpe sarraceno-moura.
Cláudio Silveira
...Aos que tem Rumo e Querência - sempre sobram motivos pra voltar!... Pra quem nunca teve norte - pouco importa a direção dos ventos... ...Filosofias de galpão pelas tardes de garoa, De quem nasceu no campo - quando a vivência era a lei maior...
José Mauro Ribeiro Nardes e Francisco Carneiro Neto
No vão das velhas paredes, De um rancho aberto nas pontas, Fui martelando por conta Da arquitetura ilusória;
Egiselda Brum Charão
O carão já cansado reflete nas rugas que os sóis pincelaram ... canseiras e agruras.
Iberê Machado
Prato simples que sustenta, O arroz de carreteiro É rude manjar campeiro Com sabor tradicional.
Jayme Caetano Braun
Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas, Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado, Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro Te batizou de "Carreteiro", meu velho arroz com guisado.
Heitor Rossato
Aquela árvore seca desenhava um desespero de mãos erguidas pro céu.
Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam
As asas da poesia não têm plumas Mas revoam muito além do céu imenso; Levam junto as raízes do que penso E propagam claridade frente às brumas.
Danilo Kuhn
A noite alta na pampa encobria, com seu manto, poesia e acalanto e sua negra estampa,
Danilo Kuhn
Foi numa manhã de agosto, a geada trincava o pasto e o negro apertava o passo, sumia na cerração...
Mário Amaral
Sou criança e assim eu vejo a vida. Rodo meu tempo na ciranda que vier. Meus brinquedos são os fiéis confidentes, Da primavera, sou um botão de bem-me-quer.
Luiz Menezes
A moça era linda como a luz da aurora Seus cabelos negros como picumã. Tinha olhar profundo, misterioso e vago Escondendo o trago do vinho do mal...
Gilberto Trindade
Parti um dia como tantos partem com a mala cheia de ilusões faceiras, alcei a perna e cruzei a porteira do simples ninho em que fui criado...
Mário Amaral
A face de um livro escrito em volumes do ABC, Quando acaricia as mãos nos lembra do "Queres ler". Um mate, um catre ao silêncio é onde me ponho cativo, Pelo pão da palavra escrita, pra fome de ler um livro.
Paulo Ricardo Costa
Caía um breu de outono, Sobre o manto da garoa... E um piazito andava atoa, Mais uma noite sem sono,
Paulo Ricardo Costa
As mãos do meu avô eram grandes, Com dedos em formas de garras... Enrijecidas na parte adunca dos calos, Desenhavam os mapas da vida...
Moisés Silveira de Menezes
Com seu cortejo de sombras a noite surpreende a tarde, o aroma das primaveras maçanilhas e alfazemas
Sérgio Sodré Pereira
Eu desconheço os motivos pelos quais mereci o regalo de, um dia, o teu cavalo encostar no meu de lida;
Joseti Gomes
Usei as palavras... Cedi ao impulso que quebra a magia Dos belos momentos. Cedi ao chamado que leva a alma
Matheus Costa
Balbuciou o laço atado seus queixumes e lamentos enquanto preso nos tentos d'um cristão enforquilhado.
Moisés Silveira de Menezes
A face nua primeira da pampa longe do gado, distante de seus cavalos antes das lanças e espadas.