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27 poesias
Loresoni Barbosa
Quem são esses homens com ânsias de pátria, que alçaram coragem pra fazer história
Loresoni Barbosa
Um clarinaço descamba rasgando o fio do horizonte e um temporal vem rasante tapando a pampa de poeira,
Loresoni Barbosa
Um raio coiceou no espaço retumbando na madrugada muda. Ficaram rastros e pêlos bordando o chão da mangueira,
Loresoni Barbosa
Pela fresta da janela onde te via passar, transpassa hoje a saudade que sempre acha teu rosto,
Loresoni Barbosa
Hoje; meus olhos do avesso Lavaram a alma e silêncio, Molharam lembranças boas Choveram mesmo! Pra dentro.
Loresoni Barbosa
Sombreando a beira da estrada passam os filhos bastardos que a pátria mãe esqueceu, buscam a parte que cabe
Loresoni Barbosa
As lembranças vem a galope com a saudade nos tentos, e atropelando a memória faz-me rever a história
Loresoni Barbosa
Uma legião de centauros mete a cara na fronteira zombando a sorte dos ventos, pelo perfil da coluna
Loresoni Barbosa
Nessa miséria campeira já não dou graças a Deus, maldigo as nuvens covardes que vem no final das tardes
Loresoni Barbosa
Debandaram-se os poetas a descobrir novos caminhos, que nos levem ao passado sem nos tirar os sentidos.
Loresoni Barbosa
CONHEÇO UM PAR DE MÃOS CALEJADAS DE ESPERANÇAS, AMPARO DOS MEUS SEGREDOS, DOS TEMPORAIS A BONANÇA, QUANDO A ESTRADA ME CARREGA PARA SEGUIR UMA TROPA, SÃO O ADEUS NA PORTEIRA, O ABRAÇO PRA MINHA VOLTA.
Loresoni Barbosa
Quem os vê na estampa - alma em bronze puro - de lança e sabre descansado às mãos, - meio soldados sob um talabarte, meio gaúchos poncho e pés no chão - não imagina que esta galhardia
Loresoni Barbosa
Quando te foste pro povo co’a mala cheia de planos, logo achei que os desenganos e rebencassos povoeiros,
Loresoni Barbosa
Lá, na beirada do rio grande onde a brancura das dunas degrada o verdor dos campos e a imensidão azulada,
Loresoni Barbosa
Estas rudes mão que agosto intangue Co’a benção das geadas ventanias, Parecem fortes para as rédeas cruas, Mas são frágeis conchas a esmolar os dias.
Loresoni Barbosa
Desprovido de vaidades com a alma impregnada de bondade e de clemência, saí pra ver a querência
Loresoni Barbosa
A razão desse riso ausente Na palidez dos meus lábios, é que trago alguns ressábios da vida e uma saudade antiga, teimosa,
Loresoni Barbosa
Larguei as loncas pra um lado E me amasiei com a gajeta Pensei, Não são cordas cruas que maneiam
Loresoni Barbosa
De tanto gastar sovéus perderam a conta dos calos, sempre ajeitando cavalos pra serventia dos "basto",
Loresoni Barbosa
Hoje; meus olhos órfãos de lágrimas Desprenderam-se do eterno outono Desprezaram horizontes largos, Despiram-se de dor e madrugadas
Loresoni Barbosa
Poeira no corredor , Ensimesmadas coplas ao vento, Anseios no semblante estradeiro E uma tropilha de sonhos
Loresoni Barbosa
Um par de esporas e um manguito debochado, Um santo sob o sombreiro - por vezes mui preocupado – De prata a rastra oriental reluz no seu tirador, E dois cavalos de muda garantem o estradeador.
Loresoni Barbosa
Ecoou ausência nas tropas, nos prados, pelos bolichos... - Saudade pra quem fica, esperança pra quem vai
Loresoni Barbosa
Agosto alçou o poncho sobre os ombros da coxilha, entranhando nas canhadas todo sabor da invernia.